O fim da Cosac Naify

Conheci a Cosac Naify a partir dos livros de arte e design. A paixão foi imediata. O que me atraiu foi a qualidade editorial. No Brasil, o projeto gráfico dos livros da Cosac é incomparável. A riqueza do catálogo é outro diferencial. As publicações passam por artes, teatro, cinema, literatura e tecnologia.

A notícia do fim da Cosac não foi uma grande surpresa. Percebe-se que mesmo nas obras mais simples havia um investimento na produção dos livros. Com um mercado editorial em frangalhos, manter esse método de trabalho tem um alto custo. Em uma entrevista publicada no jornal Zero Hora, o editor Charles Cosac, afirmou que a proposta da empresa não era ter lucro, mas permitir que ela fosse capaz de cobrir os próprios custos. De acordo com ele, foram investidos cerca de R$ 70 milhões na editora, mas o retorno financeiro nunca ocorreu.

O impulso após a notícia foi apenas um: tenho que comprar tudo o que puder do estoque. O fim da editora vai deixar muitos títulos à deriva. E aqueles que forem publicados em outro lugar, talvez, não tenha a beleza das edições Cosac.

O site da Cosac foi encerrado e o estoque colocado à venda na Amazon. As ofertas relâmpagos indicam descontos de até 90%. Comprei livros que sempre tive interesse em ler, mas adiava a aquisição, muitas vezes, devido ao custo da obra. Já tenho na minha estante Guerra e Paz, de Leon Tolstoi, O que é Cinema, de André Bazin, e Antologia da Literatura Fantástica, organizada por Jorge Luís Borges.

Pensando racionalmente – o que só acontece quando saciamos o desejo de comprar – gostaria que a anunciada morte da editora fosse somente uma estratégia para “limpar o estoque”. Mas, infelizmente, seremos órfãos das primorosas edições da Cosac Naify.

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