A repercussão do Nobel para Bob Dylan

Depois de nomes como José Saramago, Mario Vargas Llosa e Gabriel Garcia Marquez, o prêmio Nobel foi concedido a Bob Dylan. A reação ficou polarizada entre aqueles que são fãs do cantor, e acreditam que se trata de mais um reconhecimento artístico, e outros que defendem que Dylan não merecia ser laureado. Entre os críticos está Afonso Borges, escritor e produtor cultural. Na coluna Mondolivro, da rádio CBN, Borges afirmou que houve uma mediocrização do Nobel e que a premiação para Dylan é uma estratégia da Academia Sueca conseguir projeção mundial.

Borges tem razão em alguns aspectos. Com certa regularidade, academias e seus prêmios abrem concessões para personalidades midiáticas e políticas. É uma forma de tentar manter o prestígio e angariar apoio institucional. Como o Nobel é, sem dúvida, o prêmio literário mais importante do mundo, deixar guiar-se apenas por interesses institucionais pode levar a essa “mediocrização”. Também pesa contra Dylan o fato de que ele superou figuras muito mais relevantes no aspecto cultural e político, como é o caso do queniano Ngũgĩ wa Thiong’o.

Outra crítica que se multiplicou nas redes sociais contra Dylan é que ele não seria um autêntico representante da literatura. O cantor escreveu apenas dois ou três livros, publicações sem expressão ou impacto junto ao público. Entretanto a justificativa para o prêmio a Dylan foi por “ter criado novas formas de expressão poéticas no quadro da grande tradição da música americana”. Ou seja, foi reconhecido o trabalho dele como cancioneiro.

O Nobel admite, portanto, que a literatura não está circunscrita apenas nos livros, nas bibliotecas ou nos saraus. Não importa o suporte que a literatura utiliza para alcançar o público – música, livro impresso, jornalismo e outros. Premiar Dylan é reconhecer que a natureza criativa habita em todas as formas narrativas.

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