“Desconfiar sempre”: a receita de Umberto Eco contra o mau jornalismo

O Número Zero, de Umberto Eco, discute, entre outras coisas, como a verdade pode ser construída pela imprensa e, depois, recontada nas páginas dos livros de história. O narrador, um editor que trabalha para um jornal que nunca é publicado, diz que é preciso “desconfiar sempre, só assim se encontra a verdade”. Em outro trecho,  ele comenta que todos mentem – imprensa, jornalistas e historiadores.

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A história se passa na redação de um jornal que nunca chegará às ruas. A equipe de jornalistas elabora reportagens que não serão lidas pelo público. A princípio, todos os profissionais crêem que se trata de uma oportunidade de realizar um jornalismo independente e autêntico. O desejo do proprietário do veículo é entrar nos círculos sociais e de poder restritos apenas aos barões da mídia. Com isso, os jornalistas não podem sequer sugerir assuntos que possam ir contra os interesses do patrão, mesmo que as notícias não cheguem aos leitores e os exemplares sejam apenas distribuídos apenas para algumas pessoas.

Engana-se, porém, aquele que acredita que a proposta do livro é mostrar os bastidores da imprensa. Eco parece se preocupar mais em dar uma visão ao leitor de como age o jornalismo quando as notícias são contaminadas por todo tipo de influência – seja do patrão que não pode ser contrariado ou do jornalista que elabora diversas formas de estratagemas para contar fatos.

O livro foi um dos últimos trabalhos de Eco. Ele morreu em 19 de fevereiro deste ano.

Leia um trecho do livro on line.

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