A atualidade de Debret

A obra de Jean Baptiste Debret (1768-1848) é um olhar sobre o passado. O artista francês,  que morou no Rio de Janeiro entre os anos de 1816 e 1831, revela em cada tela uma cidade com paisagens praticamente intocáveis. No registro do cotidiano, o que impressiona era o modo de vida da população negra.

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Recentemente, o jornal carioca Extra fez uma capa que se tornou emblemática no jornalismo brasileiro. Com o título “Do tronco ao poste”, o periódico questiona se o Brasil avançou quanto nação após 200 anos. A razão do questionamento foi o linchamento de um homem no Maranhão, em uma cena que remete as imagens de Debret que mostravam a tortura de negros nas praças.

 

Do tronco ao poste

Quando a crise política e econômica brasileira se acentuou em 2015, o Le Monde Diplomatique também usou Debret como referência em uma capa. A publicação fez uma releitura do quadro Um Jantar Brasileiro, que mostra uma família branca rodeada por escravos durante a refeição.

 

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Ao retornar a França, Debret publicou o livro Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil; mal sabia o artista que dois séculos depois sua obra continuaria a representar um país que, no aspecto social, pouco avançou.